segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
O Recato Vivo do Alfarrabista
Homem de lide,
De escassas palavras próprias,
Modesto servente literário,
O sebo da convalescida azinhaga.
Rodava sempre um outro vinil.
Enquanto sapateavam inofensivas as crianças
E se ouviam berrarias de agua vai,
E solavancos estimulantes de carroças.
Aquela tasca com brochuras imensas...
Umas toscas, outras empilhadas em agonia,
Era um pequeno mundo da louquice de clamar,
Era a farsa viva de um obreiro entaipado.
Do corredor estreito, museu de relíquias e novidades,
Emergia a escadaria de um cofre livreiro,
Que encobria a acesso à sigilosa privacidade
E com um letreiro que obrigava a recuar.
Mas foi-me aberta a permissão um dia.
Subi lenta e atentamente ao alto da venda habitacional,
Até me cativar um artefacto de olaria,
Numa pinacoteca de esculturas, cântaros, santos, e um cemitério
de criaturas!
- César Elias Freitas, Secretária Antiga
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