domingo, 31 de maio de 2015
sábado, 30 de maio de 2015
passeava num corredor donde se erguiam estandartes de letras quando passou por mim o teu perfume.. senti-o num ápice! Mas não me voltei, não precisei de ver de onde tinha chegado, apenas perceber de que estava ali, naquele momento, mas que talvez esse momento não fosse senão um outro tempo num outro espaço, em que tivesses exalado esse aroma que me levou de novo à tua presença.. ao mergulhar de olhares constrangidos.. cheirar as purezas indistintas que emanam ao toque dos corpos, respirar o mesmo ar, ser real..
são essas as possibilidades de um universo do qual não sei falar..
..do desconhecido e do misterioso, do qual apenas nos debruçamos sobre uma infinitesimal parte, mas que assim que nos dispomos a abrir-nos provoca-nos na mais bela das obsessões..
não sei falar de como é poder existir em vários tempos ao mesmo tempo, fragmentar-me em milhares de partículas e vê-las a melodiar por entre caminhos fantasmagóricos em que a luz demora milénios a cruzar e, por fim, desembocar num areal estrelar, onde cada grãozinho de areia representa mão mais do que um conjunto de explosões de mitos radiosos que se propagam por todo o mundo imaginado e por imaginar..
tampouco sei falar dos planetas com mil sóis azuis, dos satélites em forma de pêssegos e meteoritos de penedos esponjosos.. Ou ainda das caudas poeirentas de cometas, galáxias intermitentes e buracos negros às cores..
não sei falar dos amanheceres na lua nem do céu do Saturno anelar..
apenas sei falar do que desconheço, do que ainda não tem nome, do que ainda não tem ser.. mas que existe na mais pura realidade adormecida, num sonho lindo do qual não se espera acordar.
Disso.. todos sabemos falar..
são essas as possibilidades de um universo do qual não sei falar..
..do desconhecido e do misterioso, do qual apenas nos debruçamos sobre uma infinitesimal parte, mas que assim que nos dispomos a abrir-nos provoca-nos na mais bela das obsessões..
não sei falar de como é poder existir em vários tempos ao mesmo tempo, fragmentar-me em milhares de partículas e vê-las a melodiar por entre caminhos fantasmagóricos em que a luz demora milénios a cruzar e, por fim, desembocar num areal estrelar, onde cada grãozinho de areia representa mão mais do que um conjunto de explosões de mitos radiosos que se propagam por todo o mundo imaginado e por imaginar..
tampouco sei falar dos planetas com mil sóis azuis, dos satélites em forma de pêssegos e meteoritos de penedos esponjosos.. Ou ainda das caudas poeirentas de cometas, galáxias intermitentes e buracos negros às cores..
não sei falar dos amanheceres na lua nem do céu do Saturno anelar..
apenas sei falar do que desconheço, do que ainda não tem nome, do que ainda não tem ser.. mas que existe na mais pura realidade adormecida, num sonho lindo do qual não se espera acordar.
Disso.. todos sabemos falar..
sexta-feira, 29 de maio de 2015
quinta-feira, 28 de maio de 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
e dizer que te adoro sem palavras usar..
olhar os teus olhos no infinito,
procurar mundos lá longe, ao alcance de um suspiro.
desprender-te da imensidão de demónios que te arrebatam,
despojá-los de qualquer tentativa, lançá-los ao escuro, dissipar..
reavivar a tua luz e deixar-me encadear,
deixar raiar o sol e mergulhar no vento para não voltar..
porque ao teu lado me vejo, uma companhia desmedida..
como quem não tem medo de que possa durar para a vida..
terça-feira, 26 de maio de 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Estou, nesta noite cálida, deliciadamente estendido sobre a relva,
de olhos postos no céu, e reparo, com alegria,
que as dimensões do infinito não me perturbam.
(O infinito!
Essa incomensurável distância de meio metro
que vai desde o meu cérebro aos dedos com que escrevo!)
O que me perturba é que o todo possa caber na parte,
que o tridimensional caiba no dimensional, e não o esgote.
O que me perturba é que tudo caiba dentro de mim,
de mim, pobre de mim, que sou parte do todo.
E em mim continuaria a caber se me cortassem braços e pernas
porque eu não sou braço nem sou perna.
Se eu tivesse a memória das pedras
que logo entram em queda assim que se largam no espaço
sem que nunca nenhuma se tivesse esquecido de cair;
se eu tivesse a memória da luz
que mal começa, na sua origem, logo se propaga,
sem que nenhuma se esquecesse de propagar;
os meus olhos reviveriam os dinossáurios que caminharam sobre a Terra,
os meus ouvidos lembrar-se-iam dos rugidos dos oceanos que engoliram
continentes,
a minha pele lembrar-se-ia da temperatura das geleiras que galgaram sobre a
Terra.
Mas não esqueci tudo.
Guardei a memória da treva, do medo espavorido
do homem da caverna
que me fazia gritar quando era menino e me apagavam a luz;
guardei a memória da fome;
da fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez estender os lábios sôfregos para mamar quando cheguei ao mundo;
guardei a memória do amor,
dessa segunda fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez desejar a mulher do próximo e do distante;
guardei a memória do infinito,
daquele tempo sem tempo, origem de todos os tempos,
em que assisti, disperso, fragmentado, pulverizado,
à formação do Universo.
Tudo se passou defronte de partes de mim.
E aqui estou eu feito carne para o demonstrar,
porque os átomos da minha carne não foram fabricados de propósito para mim.
Já cá estavam.
Estão.
E estarão.
António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'
de olhos postos no céu, e reparo, com alegria,
que as dimensões do infinito não me perturbam.
(O infinito!
Essa incomensurável distância de meio metro
que vai desde o meu cérebro aos dedos com que escrevo!)
O que me perturba é que o todo possa caber na parte,
que o tridimensional caiba no dimensional, e não o esgote.
O que me perturba é que tudo caiba dentro de mim,
de mim, pobre de mim, que sou parte do todo.
E em mim continuaria a caber se me cortassem braços e pernas
porque eu não sou braço nem sou perna.
Se eu tivesse a memória das pedras
que logo entram em queda assim que se largam no espaço
sem que nunca nenhuma se tivesse esquecido de cair;
se eu tivesse a memória da luz
que mal começa, na sua origem, logo se propaga,
sem que nenhuma se esquecesse de propagar;
os meus olhos reviveriam os dinossáurios que caminharam sobre a Terra,
os meus ouvidos lembrar-se-iam dos rugidos dos oceanos que engoliram
continentes,
a minha pele lembrar-se-ia da temperatura das geleiras que galgaram sobre a
Terra.
Mas não esqueci tudo.
Guardei a memória da treva, do medo espavorido
do homem da caverna
que me fazia gritar quando era menino e me apagavam a luz;
guardei a memória da fome;
da fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez estender os lábios sôfregos para mamar quando cheguei ao mundo;
guardei a memória do amor,
dessa segunda fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez desejar a mulher do próximo e do distante;
guardei a memória do infinito,
daquele tempo sem tempo, origem de todos os tempos,
em que assisti, disperso, fragmentado, pulverizado,
à formação do Universo.
Tudo se passou defronte de partes de mim.
E aqui estou eu feito carne para o demonstrar,
porque os átomos da minha carne não foram fabricados de propósito para mim.
Já cá estavam.
Estão.
E estarão.
António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'
domingo, 24 de maio de 2015
sábado, 23 de maio de 2015
sexta-feira, 22 de maio de 2015
![]() |
| Antonio Mora |
porque me pedes um silêncio que não sustento
e uma ausência que causa sofrimento:
materializo-te então num fechar de olhos,
sinto numa ave pardacenta o teu olhar,
arrepio-me com o toque invisível do algodão a esvoaçar,
humedeço os lábios como se te fosse beijar,
aconchego-me numa árvore ao teu abraço imaginário,
incha-me o peito de borboletas em cortejo,
coloridas manhãs cantadas em harpejo..
não te sinto.. pudesses tu ser irreal..
mas é tão forte o sentimento
que o real és tu e o meu lamento..
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Para José Afonso
António Ramos Rosa
O canto que se erguia
na tua voz de vento
era de sangue e oiro
e um astro insubmisso
que era menino e homem
fulgurava nas águas
entre fogos silvestres.
Cantavas para todos
os acordes da terra,
os obscuros gritos
e os delírios e as fúrias
de uma revolta justa
contra eternos vampiros.
Que imensa a aventura
da luz por entre as sombras!
A vida convertia-se
num rio incandescente
e num prodígio branco
o canto sobre os barcos!
E o desejo tão fundo
centrava-se num ponto
em que atingia o uno
e a claridade intacta.
O canto era carícia
para uma ferida extrema
que era de todos nós
na angústia insustentável.
Mas ressurgia dela
a mais fina energia
ressuscitando o ser
em plenitude de água
e de um fogo amoroso.
É já manhã cantor
e o teu canto não cessa
onde não há a morte
e o coração começa.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
domingo, 17 de maio de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
"Foi nessa idade que a poesia me veio buscar
Não sei de onde veio
Do inverno, de um rio
Não sei como nem quando
Não, não eram vozes
Não eram palavras
Nem silêncio
Mas da rua fui convocado
Dos galhos da noite
Abruptamente entre outros
Entre fogos violentos
Voltando sozinho
Lá estava eu sem rosto
E fui tocado."
PABLO NERUDA
Não sei de onde veio
Do inverno, de um rio
Não sei como nem quando
Não, não eram vozes
Não eram palavras
Nem silêncio
Mas da rua fui convocado
Dos galhos da noite
Abruptamente entre outros
Entre fogos violentos
Voltando sozinho
Lá estava eu sem rosto
E fui tocado."
PABLO NERUDA
sexta-feira, 15 de maio de 2015
quinta-feira, 14 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
lanço-me nas travessas pedrejadas, rompido por estrilhos sonoros que envolvem o caos da paisagem.. onde há presos em máquinas enlatadas de ferro e penumbras negras. fossem antes formiguinhas latentes, carregadas de vícios e estrilhos ou seres com dentes jocosos e de olhares sibilinos.. uma vaga colorida onde ondula a borboleta da cor azul abre-te com esplendor ao mar onde habita a lua a um céu aberto onde irrompem andorinhas ao desafio, por onde esvoaçam poléns sedentos de explosões radiosas de mil sóis revigorantes. ei-la então que se ergue sorridente, de esmeraldas psicóticas abraçada, a princesa cigana que canta o fado em jogos de cartas e desenha os férteis caminhos da sombra e luz.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
e como seria se tivesse a tua mão para afagar..
cabelos fartos que suspiram de comichão, e escondem lábios de uma alegre tentação..
o que seria se me empurrasses para fora do vazio,
se me preenchesses o vácuo obscuro que me penetra o coração..
mas ficas como a espuma por cima de um mar de vento,
sempre presente, mas nunca imersa em águas revoltosas que é só o que tenho para dar..
és a minha árvore azul de contemplação e só.. só restam troncos de lamento e folhas caídas por apanhar..
cabelos fartos que suspiram de comichão, e escondem lábios de uma alegre tentação..
o que seria se me empurrasses para fora do vazio,
se me preenchesses o vácuo obscuro que me penetra o coração..
mas ficas como a espuma por cima de um mar de vento,
sempre presente, mas nunca imersa em águas revoltosas que é só o que tenho para dar..
és a minha árvore azul de contemplação e só.. só restam troncos de lamento e folhas caídas por apanhar..
domingo, 10 de maio de 2015
sexta-feira, 8 de maio de 2015
quinta-feira, 7 de maio de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
terça-feira, 5 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
domingo, 3 de maio de 2015
sábado, 2 de maio de 2015
Subscrever:
Comentários (Atom)


















