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| Antonio Mora |
porque me pedes um silêncio que não sustento
e uma ausência que causa sofrimento:
materializo-te então num fechar de olhos,
sinto numa ave pardacenta o teu olhar,
arrepio-me com o toque invisível do algodão a esvoaçar,
humedeço os lábios como se te fosse beijar,
aconchego-me numa árvore ao teu abraço imaginário,
incha-me o peito de borboletas em cortejo,
coloridas manhãs cantadas em harpejo..
não te sinto.. pudesses tu ser irreal..
mas é tão forte o sentimento
que o real és tu e o meu lamento..
