terça-feira, 20 de janeiro de 2015

vivia como se fosse embaixadora do poliamor.
não percebia sequer o significado da palavra e grunhia só da possibilidade de a pronunciar,
mas todos os momentos lhe pareciam paixões únicas, irrepetíveis e insaciáveis..

trinchava carne seca como se fosse a primeira vez que mastigasse,
engasgava-se com vinho de cartão como se bebesse néctar,
iludia-se com trocos como se fosse ouro,
desiludia-se por não fumar como se estivesse frígida,
besuntava-se de coca como se possuísse um virgem,
oferecia-se a um cabrão como se fosse um príncipe,
ridicularizava-se sentada nas escadas como quem espera alguém,
brilhavam-lhe os olhos por ter trapos como se fosse rainha,
sorria como se tivesse pérolas nos dentes,
chorava por não ter dentes sequer,
amava a vida como se detestasse o pai,
abraçava-se a si própria como quem a amasse,
levitava pelos pesadelos como se voasse..

e nem a espera do sono a consolava!

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